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Dia da Consciência Negra: igualdade racial através da economia solidária

Hoje, dia 20 de novembro é celebrado o dia da consciência negra, a data é alusiva a morte de Zumbi dos Palmares, um dos símbolos da resistência negra no período da escravidão, é data para lembrar o passado histórico brasileiro e refletir sobre as políticas de inserção do negro na sociedade brasileira, inserção esta que é marcada ainda hoje por uma desigualdade social e principalmente o preconceito, muito disso fruto de uma passagem histórica por sistemas políticos e econômicos dominantes no mundo que ainda divide a sociedade em classes, neste cenário, como a economia solidária contribui para reverter séculos de opressão racial?

A economia solidária tem um caráter revolucionário, assim garante o economista Paul Singer, que ficou os últimos 13 anos à frente da secretaria de economia solidária do governo federal, isso porque une trabalho ao capital, sendo o trabalhador um agente ativo das relações econômicas e sociais, se tornando emancipador e transformador, diferente do sistema capitalista vigente o qual ele é um trabalhador assalariado sem poder ou responsabilidade, na economia solidária existe a abertura de uma perspectiva que define novos valores culturais e sociais contra o acúmulo abusivo de capital, que com o tempo gera o monopólio dos grandes conglomerados capitalistas.

Com novas práticas de relação social, visa a sustentabilidade, a justiça econômica, social, cultural e ambiental e a democracia participativa. Para a professora Victoria Régia da UFCA e coordenadora da ITEPS – Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares e Solidários, a economia solidária contribui na luta pela igualdade racial principalmente pela valorização da cultura negra, citando empreendimentos de economia solidária geridos por mulheres negras, “dando visibilidade positiva a negritude, além disso, as práticas pedagógicas com a mística realizada com as músicas que fortalecem a identidade cultural, como o Negro Nagô e Mama África”

Para estudiosos como Gaiger, a economia solidária contribui na diminuição das desigualdades sociais e sobretudo mantendo uma identidade cultural, a organização participativa dos membros dos empreendimentos não só garante uma possível rentabilidade financeira, mas sobretudo uma valorização social de suas práticas e costumes, como se tem o exemplo do cantor Brunno Santhos que durante as feiras da Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias do Cariri canta “obrigado ao homem do campo”.

 

Assim como fomentadora da cultura negra, do agricultor, do artista e demais exemplos que poderiam ser colocados, a economia solidária contribui gerando uma prática social-econômica autogerida pela classe trabalhadora e portanto é totalmente representada culturalmente em suas práticas, fazendo assim um desenvolvimento social não pautado exclusivamente no ganho financeiro, mas no estímulo, valorização e respeito às práticas e costumes de um povo.

 

Para Keliciane Barros, estudante de Administração Pública da UFCA, “a economia solidária é pautada em uma série de princípios, nos quais podemos destacar a valorização da pessoa humana” a estudante que participou diretamente com empreendimentos de economia solidária na região do Cariri através da ITEPS, para ela “esse princípio consiste em colocar a pessoa humana em primeiro lugar, de forma que é considerado a essência do ser humano e não sua aparência, raça ou cor”.

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